Como receber notícias de quem já se foi?

Randolfo Santana Medeiros

26 nov 2012

Esse é um manual prático para aqueles que perderam pessoas queridas e desejam desesperadamente ter noticias destes espíritos a partir do plano espiritual.

Por uma questão de lógica doutrinária, os passos a seguir devem ser adotados fielmente, de modo a que se obtenha o melhor aproveitamento intelecto/moral - e por consequentemente, também emocional.

Vamos aos passos:
 

1) Avalie seu desejo. Ele atende a qual necessidade? Seria uma necessidade do desencarnado? Não, pois se você soubesse de alguma necessidade dele, é sinal de que já houve uma comunicação. Bem, se não atende ao desencarnado, então atende a você, certo? Só que este é um desejo que envolve duas partes e você não sabe do desejo da outra parte. Se você não sabe é porque não consultou. Se não consultou e não sabe, então é um desejo apenas seu. Se for apenas seu, isso pode ser algum tipo de "egoísmo". Você está concentrado na sua necessidade e não avaliando a necessidade de quem partiu.

2) Avalie a questão sob a perspectiva doutrinária. O telefone toca de lá para cá? Não... Isso é um mito infelizmente muito difundido no meio espirita. É possível evocar qualquer pessoa que tenha desencarnado. Possível é, mas, não há a menor garantia de que o evocado possa ou deseje comparecer no ambiente de evocação. Os desencarnados também têm livre arbítrio.

3) Avalie a necessidade. A morte é condição irrevogável da vida. E vale uma lembrança óbvia: todas as pessoas que você conhece vão morrer, inclusive você. E você verá todos morrerem, a não ser que morra antes. Então, se em algum momento você imagina que tem a necessidade de conversar com quem já se foi porque está com saudades ou porque está em profunda angústia ou tristeza, imagine como será sua vida e sua rotina com tantas pessoas queridas partindo? Se você se diz espírita, é o momento correto de demonstrar seu conhecimento na prática. No Espiritismo nós aprendemos a lidar com a morte e lidar com a morte não implica em momento nenhum em ter alguma afinidade estabelecer linhas diretas de comunicação com desencarnados ao nosso bel prazer.

4) Avalie a instituição supostamente espírita. Se ela tem jeito de “telemarketing” espiritual, evite-a, pois a produção maciça de eventos retira de todos eles a condição de aferição de verdade. O processo de aferição de autenticidade de uma suposta comunicação espiritual é metódico e requer uma equipe concentrada em diversos fatores para poder emitir parecer de veracidade. Se você é espírita e acha que médium não se engana, não é enganado e não engana,  você pode estar se colocando em uma posição extremamente perigosa  de ser facilmente ludibriado por falsos médiuns ou fascinado por falsos espíritos.

5) Avalie a condição do espírito. Se ele teve uma vida moral adequada, certamente ele está em boas condições no mundo espiritual, tornando a busca por noticias desnecessária. Afinal, o modo como chegamos no mundo espiritual está diretamente relacionado à robustez moral com que vivemos. E se ele não teve uma vida moral adequada, pode ser que não esteja tão bem. E nesse caso, o que você vai poder fazer? Orar por ele? Sim, a prece é poderosíssimo instrumento de auxilio, quando precedida de também mérito moral de quem a faz. Não há outros meios de ajuda possíveis e certamente qualquer idéia de tentar estabelecer uma comunicação direta de sua parte com tal espírito não possuirá qualquer condição eficaz de solucionar alguma questão deste espirito.

6) Avalie seus sonhos. Você tem sonhado com o ente querido com frequência e é isso que te impele a querer se comunicar com ele? Bem, tanto a ciência quanto o Espiritismo nos ensinam que as atribulações do cotidiano e fortes comoções e emoções podem levar o cérebro a criar imagens mentais relacionadas com o que nos preocupa ou emociona. Quando você acorda, tem a impressão nítida de que sonhou com tal pessoa, que viu e falou com este espirito querido. Mas, a recorrência deste tipo de “sonho”, sempre nos mesmos tons e clichês, tornam mais provável a hipótese de alucinação cerebral – que é o que são os sonhos de natureza fisiológica ou emocionais. E o grande exemplo disso é que os sonhos deste porte são de apenas dois tipos: ou você sonha que a pessoa vem te dizer que está tudo bem ou sonha que a pessoa vem te dizer que está tudo péssimo e te pede para orar por ele. Como no mundo espiritual os espíritos têm relativa liberdade de agir e pensar, a redução do suposto comportamento dos espíritos de quem desencarnou a apenas estas duas atitudes são um poderoso indicio de que você realmente não se encontrou com a pessoa querida enquanto dormir.

7) Entenda a Doutrina Espírita. Ela nos informa que ao dormir nós naturalmente nos desprendemos de nosso corpo e também naturalmente nos comunicamos com desencarnados se houver essa chance. Então, se já existe a chance e se o contato já pode ser feito todas as noites quando você dorme, qual a necessidade de querer uma comunicação mediúnica? Apenas para se lembrar e formalizar isso para os amigos? entenda que você é um espírito e que já interage com outros espíritos - apenas não se recorda na maior parte das vezes. E não se recorda porque é assim a lei natural destes encontros. Quando acordados, não temos quase nenhuma consciência do que ocorreu enquanto dormíamos.

8) Aceite a condição do desencarnado. Ninguém fica ocioso no plano espiritual. A sua necessidade pode não ser a dele. A sua oportunidade pode não ser também a mesma dele. Tenha consciência do quanto você estará perturbando um espírito trabalhador emitindo contra ele pensamentos de ansiedade e lamúrias, se ele tiver condição de receber o seu pensamento. E certamente, sendo uma pessoa querida, sua postura poderá despertar nele uma preocupação com a sua condição. Você poderá potencialmente ser o fator de atribulações deste espirito no mundo espiritual. Vale a pena reavaliar isso se você realmente quer o bem de seu ente querido.

9) Tenha a humildade de reconhecer que você precisa de ajuda psicológica se a tristeza e a ansiedade por noticias persistir por muito mais tempo. Se a morte é fato natural da vida, o fato de você não lidar com a perda com alguma naturalidade depois de decorrido um bom tempo é sinal de que você não leva a vida com naturalidade e mais uma vez a Doutrina Espírita que você alega seguir não está te servindo de muita ajuda. Você pode estar com problemas anteriores em suas emoções e em seu comportamento que foram mais evidenciados com a morte de uma pessoa amada. Expressamente busque ajuda profissional, sem preconceito. Isso é prova de amor próprio, prova de que você se cuida e com isso, se coloca em condições de cuidar bem das pessoas que ficaram ao seu redor.

10) Confie em Deus e nos espíritos superiores que administram a questão. Se você tiver a necessidade de receber uma comunicação mediúnica por motivo de perda de ente querido, essa comunicação mediúnica irá chegar até você de maneira extremamente natural. Deus sabe o que é bom e o que é útil para o seu crescimento. O silencio do plano espiritual é escola de formação de caráter, pois temos que nos educar a tolher nosso egoísmo, nossa vaidade, nossa ansiedade e aprender também a estruturar nossa base emocional.

Estude a codificação espirita. Não existe em absoluto melhor lenitivo para a morte dos amados do que compreender realmente o que de fato ocorre com os espíritos e conosco. O conhecimento é poderoso instrumento para o seu restabelecimento, para o seu equilíbrio e para te auxiliar neste momento doloroso. Pode ser que sua perda possa servir como o marco inicial de sua jornada rumo à plena compreensão da situação de todos nós na Terra. Hoje é um bom dia para começar... Que tal?

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Randolfo Santana Medeiros

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imagem de Shirley De Brito Freire

Eu sempre achei interessante

Eu sempre achei interessante sempre tive vontade de conhecer

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